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Educação infantil: Processo de alfabetização enfrenta desafios após pandemia 

Jornal da USP – Imagem Andrea Piacquadio (Pexels)

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A diretora da Faculdade de Educação, Carlota Boto, discute sobre a educação na primeira infância depois dos impactos da covid-19

Após mais de dois anos de pandemia, a educação passou por transformações significativas e agora enfrenta diversos desafios neste período de readaptação. A flexibilização das medidas sanitárias no ano de 2022 restabeleceu algumas dinâmicas do período anterior à covid-19, mas ainda restam resquícios, sobretudo para crianças que passam pelo período de alfabetização.

A professora Carlota Boto, diretora da Faculdade de Educação da USP, entende que é compreensível que o período atual seja complicado: “Do ponto de vista histórico, a alfabetização requer uma atenção muito cuidadosa e muito presencial por parte do adulto que alfabetiza. Então, essas crianças podem ter tido mais dificuldade em relação ao procedimento de letramento”.

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Para ela, além do processo de formação e educação da criança, com a retomada do letramento, é necessária uma abordagem cuidadosa com o tema da perda. “Nós temos que lembrar que existem órfãos da pandemia, essas crianças perderam familiares e ouvem os seus pais comentando das perdas. Então, é fundamental que a escola trabalhe essa realidade no seu interior, porque as crianças também precisam compreender o que se passa”, afirma.

Educação infantil

Em meio à pandemia, a importância da educação infantil ficou ainda mais em evidência. Além de deixarem de frequentar um ambiente educativo, as crianças passaram a ter comportamentos regredidos, com maior dificuldade na interação com os colegas, e a apresentar menos habilidades do que se espera para a idade.

Carlota indica que a escola é responsável por se colocar entre a família e a vida social: “Por isso ela é tão importante, no momento em que essa criança deixa de ir para a escola, ela fica imersa no seio da família e isso não é necessariamente positivo, ela perde a oportunidade do contato com o outro, com o diferente, e esse contato é fundamental”.

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A defasagem no processo de letramento das crianças também é um fator que preocupa. A professora comenta que esse processo começa muito cedo e é anterior à alfabetização, é um momento de preparação para que a criança seja alfabetizada. O contato com livros e o estímulo ao interesse pela leitura podem facilitar o caminho para a aprendizagem.

A qualidade da alfabetização deve ser prioridade nas políticas governamentais de educação. “Eu penso que falta uma política central de alfabetização. Na verdade, elas estão muito distribuídas pelos Estados, falta uma diretriz que oriente, uma política pública centralizadora para a alfabetização e para esse nível de ensino”, discute Carlota.

A professora aponta que alguns tópicos demandam mais atenção para a recuperação do processo de aprendizagem após a pandemia: “Cabe aos educadores verificar o que de fundamental efetivamente precisa ser resgatado, porque há algumas habilidades, alguns conceitos e saberes que são necessários de serem apreendidos hoje. Então, tem que se investir nessa reorganização do currículo para que se estabeleça o que de essencial foi perdido e se foque nesses aspectos para recuperar o ensino que ficou à margem da história.”

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